Após as eleições mais disputadas da história do Brasil, com pesquisas discrepantes e reviravoltas mil, chegamos finalmente no dia seguinte. Acordamos pela primeira vez sem predisposição para argumentar com o lado oposto ou para concordar com o nosso lado, independente de qual lado fosse. Será mesmo?
Pois eu acordei ouvindo o discurso da Dilma na televisão. E meus avós dizendo:
- Ela deve ter roubado alguma coisa para ganhar.
- Não acredito em nada do que ela fala.
- Os mineiros são todos fingidos, não votaram no Aécio.
- Olha o Lula tomando cachaça.
- Não, é água.
- É nada, é cachaça.
- Ele abraçou ela, devem ser amantes, isso sim.
Eu, que ia vestir a camisa vermelha, preferi vestir outra antes de sair do quarto, para não ser acusado de ser comunista.
Dilma perdeu no Rio Grande do Sul, local onde se estabelecera politicamente. Aécio, governador mineiro por dois mandatos, perdeu em seu estado. Culpa de ambos, certo? “Quem não conhece, que compre”, certo? Errado. O eleitor é quem está amadurecendo. Sabe que qualquer um que fosse eleito não beneficiaria o seu estado em detrimento dos demais, pois todos os olhos estão em cima do “Chefe do Executivo”. Os que votaram em Aécio por ele ser de Minas o fizeram mais por busca de uma afinidade pessoal - no caso, a conterraneidade - do que por medo de que a Dilma punisse os mineiros pelo voto adversário.
Nos próximos posts, vamos às nossas previsões para o futuro político do Brasil, de Minas e de Juiz de Fora, já que o cenário político está montado e conhecemos bem os atores.


